Home pageServizio Informazione   Servizio Informazione - Information Service
 Tel. +39-06-947989 - Fax +39-06-94749320
 E-mail: sif@focolare.org

News

 


Discurso do Deputado André Franco Montoro
por ocasião da Entrega da Medalha de Honra ao Mérito a Chiara Lubich
pela USP no dia 30 de abril de 1998.


Magnífico reitor da Universidade de São Paulo, Chiara Lubich que nos honra com a sua presença nesta Universidade, demais autoridades presentes, minhas senhoras e meus senhores. Falo na dupla qualidade de professor e incubido desta saudação pelo reitor da Universidade e em nome do Congresso Nacional que representa todo o povo brasileiro e que vem trazer à Chiara Lubich a palavra de homenagem, admiração e respeito.
Quando vemos o Movimento dos Focolares, que é sua obra, presente em cento e noventa e oito países dos cinco continentes, com o apoio de milhões de pessoas em todo o mundo, quando tomamos conhecimento das homenagens que lhe são prestadas por comunidades de toda a multiplicidade de ordens religiosas, católicos e ortodoxos, igrejas protestantes, sinagogas judaicas, mesquitas muçulmanas, monges budistas; quando vemos as inúmeras homenagens e condecorações que lhe são conferidas por Universidades de todas as partes do mundo e hoje, dentro deste conjunto, a Universidade de São Paulo, que é a maior Universidade do Brasil; quando vemos que a UNESCO, Organização Mundial, destinada a Ciência, a Educação e a Cultura, conferir-lhe o prêmio de Educação para a Paz, nós tomamos consciência de que estamos diante de um Movimento histórico. Esta é, sem dúvida, a marca deste movimento.
Alguém definiu ou previu que o século XX seria o século das guerras, e realmente duas grandes guerras marcaram este século que termina. A guerra de 14 correspondeu ao fim de uma época histórica. Aquela perspectiva de um mundo em que a ciência e a tecnologia sozinhas, numa pretensa neutralidade, iriam trazer felicidade ao mundo, quando Paris realizou a exposição universal para mostrar à humanidade o progresso das grandes invenções, da eletricidade, do automóvel, do avião, aquela Belle Époque.
Veio a guerra e foi a surpresa, a decepção, o desespero. E os efeitos da guerra que não se limitam a um conflito armado, mas tem consequências culturais e sociais da maior importância, quais foram os efeitos, os primeiros resultados no plano da cultura da Primeira Guerra Mundial?
Foi o Dadaísmo, que desprezava tudo para condenar aquela burguesia falsa, aquela mentalidade e aquela história de uma Belle Époque, fora de valores.
Foi o Surrealismo, querendo mostrar que tudo o que se apresentava era hipocrisia e era preciso procurar o real, nos aspectos interiores, no Surrealismo. O próprio Existencialismo, a angústia existencial, a náusea de Sartre, o ser e o nada. Tudo isso foi o resultado negativo, pessimista daquela guerra.
E diante daquele vazio de valores, daquela negatividade que dominava, foi crescendo o movimento totalitário que acabou deflagrando a Segunda Guerra Mundial. Mas os efeitos da Segunda Guerra que foram terríveis do ponto de vista das consequências materiais, trouxe uma consequência não negativa como a Primeira Guerra, mas positiva.

A humanidade tomou consciência de que aquela neutralidade, aquela ausência de valores daquela pretensa civilização burguesa, precisava afirmar alguns valores. E surgiu então o movimento, em primeiro lugar da consciência universal, para no tribunal de Nuremberg condenar aqueles que violavam princípios que não apenas não estavam nas leis. O positivismo jurídico sofreu aí o seu primeiro golpe. Mas era preciso afirmar valores. E a consciência da humanidade fez com que fosse aprovada pela assembléia das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana. Escritos foram afirmados e houve uma reação em todos os setores. No plano do Direito, aqueles que afirmavam que a lei da autoridade constituída era a única regra para fundamentar o Direito, tiveram que se render à evidência deque aquelas ordens dos chefes autoritários de Hitler, por exemplo, ele era a autoridade. Mas o poder da autoridade tinha limites em valores e veio a afirmação, hoje reconhecida por todos, de que no fundo do Direito há o valor fundamental da Justiça.
No campo da ciência aquela pretensão de que a ciência e a técnica resolveriam o mundo, com a explosão de Hiroshima e Nagasaki, com o holocausto, com aquela série de deformações, provocou da parte dos cientistas, dos técnicos, daqueles que faziam as armas um choque dramático.
É Einstein, nas suas reflexões sobre a maturidade, que vem lembrar o drama dos cientistas e dizer: "Os fatos estão a nos mostrar que só a ciência, só a técnica não resolvem os problemas da humanidade. A ciência nos diz o que é, mas é a moral, é a religião que diz o que deve ser. São os valores que têm que ser afirmados". E na educação - diz Einstein ainda - "não basta a transmissão de conhecimentos, ou das habilidades técnicas, é preciso - frase de Einstein - que a juventude seja formada de tal forma que os princípios éticos-fundamentais de justiça, de solidariedade, de respeito à pessoa humana sejam para o jovem como o ar que ele respira".
Todos esses ensinamentos marcam esse aspecto positivo decorrente da Segunda Guerra. Mas não basta ensinar. Os antigos diziam: verba volen, scripta manen - as palavras voam, os escritos permanecem, mas são os exemplos que arrastam. E é nesse plano dos exemplos, dentro desta linha universal, sede de justiça e de paz, que surge com uma importância histórica para o mundo moderno o Movimento iniciado por Chiara Lubich.
Em plena Segunda Guerra, entre as ruínas e a destruição, Chiara Lubich abraça a sua causa e inicia um Movimento que seria profético, que se transforma nesta grande movimentação que o mundo respeita e que hoje São Paulo, através da sua Universidade, vem proclamar como exemplo, como lembrava há pouco o nosso reitor, principalmente para as novas gerações, esta idéia de universalidade.
Contra o totalitarismo que esmaga a pessoa humana, que considera o Estado a única realidade, é de Mussolini a frase: "Nada sem o Estado, nada contra o Estado, nada fora o Estado", a esse totalitarismo, Chiara vem lembrar a eminente dignidade da pessoa humana. A pessoa humana é inviolável, tem valores pessoais que devem ser reconhecidos.
Contra o nacionalismo estreito dos que declararam a guerra, ela vem lembrar que a Pátria é uma dimensão menor, que somos todos membros de uma grande família humana. Este Movimento ecumênico, universal que ela prega, que ela realiza e que os Focolares dão como exemplo ao mundo é desse entendimento amplo, de todas as nações, de todas as religiões.

E contra a violência e o ódio, ela vem nos ensinar que o amor é a vida do mundo. É esta fraternidade, esta é a grande lição! Eu quero dizer, Chiara Lubich, que São Paulo, neste momento ao lhe homenagear quer lembrar algumas passagens históricas ligadas à nossa cidade e ao nosso continente.
Durante a guerra o arcebispo de São Paulo, o jovem bispo vindo de Uberaba, D. José Gaspar de Affonseca e Silva, colocou como lema do seu governo, da sua administração em São Paulo, a frase evangélica: "Ut omnes unum sint" - "Que todos sejam um". É o lema dos Focolares, é o lema do grande arcebispo de São Paulo.
Outro exemplo do nosso continente: quando começaram a cair as ditaduras militares da América, umas das últimas foi a ditadura do Chile, e no momento em que tomava posse o presidente Patrício Aylwin, um grande cristão, certamente discípulo e amigo dos Focolares, o ato mais importante da sua posse, foi o ato ecumênico na porta da catedral, e lá estava no centro o cardeal do Chile, à sua direita um rabino judeu, à sua esquerda um pastor protestante, de outro lado um sacerdote muçulmano, e de outro lado, eram cinco, um monge budista. De mãos dadas, davam graças à Deus pela volta do Chile à democracia e assumiam o compromisso de cada um, dentro da sua comunidade, trabalhar pela efetivação do grande valor que é comum a todas as religiões. Se somos filhos de Deus, somos irmãos.
Esta noção de fraternidade, esta noção de solidariedade, está na base do Movimento dos Focolares, cuja inspiradora, autora e presidente, recebe neste momento a homenagem, é a grande mola capaz de salvar o mundo.
Contra o egoísmo e a violência, é a solidariedade. Contra os braços cruzados da indiferença burguesa, contra os movimentos de violência dos agitadores da violência, do ódio e da lutas de classes ou de nações há um terceiro gesto: são os braços abertos da fraternidade. São estes braços abertos que recebem neste momento Chiara Lubich na Universidade de São Paulo.
É um sonho o trabalho e a proposta dos Focolares?
Eu me permito citar mais um grande brasileiro, latino-americano, um bispo modelo para o mundo, Dom Helder Câmara, ele diz: "Quando sonhamos sozinhos, é só um sonho, mas, quando sonhamos juntos é o começo de uma nova realidade".
Esta realidade, que hoje, na Universidade de São Paulo, com sua plena significação, se apresenta perante o Brasil. O objetivo desta homenagem é lembrar que, como Chiara Lubich, todos nós desejamos fazer da humanidade uma grande familia, em que todos se tratem como irmãos.

(02-03-2002)

Home

| Home | Servizio informazione |


© Copyright 1998, by Baldas & Baldas DIVISION. All rights reserved.
Comments to webmaster.